Dia Nacional da Mamografia: lei garante o acesso à prevenção do câncer de mama NOTÍCIAS

05/02/2019

Dia Nacional da Mamografia: lei garante o acesso à prevenção do câncer de mama

Dia Nacional da Mamografia: lei garante o acesso à prevenção do câncer de mama

Além das ações da campanha Outubro Rosa, o Dia Nacional da Mamografia (5 de fevereiro) foi instituído há dois anos, com o objetivo de sensibilizar mulheres sobre a importância de realizar o exame para a detecção precoce do câncer de mama. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) afirmam que no ano de 2018 eram esperados 59.700 novos casos desse tipo de câncer no Brasil, representando 29% dos tumores que atingem as mulheres.

“O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente”, explica o Inca.

Outro dado importante sobre o câncer de mama está relacionado à prevenção. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), um estudo sueco publicado recentemente na Revista Câncer por Tabar e Cols revelou que mulheres que realizam mamografia morrem menos do que aquelas que não fazem o exame rotineiramente.

“Nas mulheres diagnosticadas com câncer de mama e que realizavam a mamografia periodicamente, a redução da mortalidade por esta doença foi de 60% em 10 anos após o diagnóstico, se comparada àquelas que não realizaram o exame regularmente. O levantamento mostrou ainda que a redução da mortalidade por esta doença foi de 47% em 20 anos após o diagnóstico se comparada com aquelas que não realizaram o exame rotineiramente”, apontou a Revista.

Em relação ao acesso ao exame preventivo no Brasil, a Lei n° 11.664/08 dispõe “sobre a efetivação de ações de saúde que assegurem a prevenção, a detecção, o tratamento e o seguimento dos cânceres do colo uterino e de mama, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

A norma assegura mamografia a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade, entretanto, na prática, o Brasil apresenta baixos índices de realização do exame, sobretudo, no ano de 2017.

Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia apontaram que o percentual de cobertura mamográfica em 2017 nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos atendidas pelo SUS é o menor dos últimos cinco anos.

“Para se ter ideia, eram esperadas 11,5 milhões de mamografias e foram realizadas apenas 2,7 milhões, uma cobertura de 24,1%, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, revela a SBM.

A falta de equilíbrio entre as regiões faz com que mulheres do Norte e Centro-Oeste continuem apresentando as menores coberturas quando comparadas às demais, vista a dificuldade para agendar e realizar a mamografia.

“Os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em detrimento dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com 5 mil realizados quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram realizados”, afirma a SBM.

Em contrapartida, nas populações que possuem acesso à mamografia preventiva periódica, o número de mortes pela doença de diminui de 15% a 45$%.

“A SBM recomenda que a realização anual do exame deve iniciar a partir dos 40 anos, mas nos casos em que a paciente tiver histórico familiar para câncer de mama (como mãe, pai, irmã) a mamografia deve ser iniciada pelo menos 10 anos antes da idade em que o familiar apresentou a doença”, finaliza.

Para saber mais sobre as leis que garantem acesso ao tratamento, assista ao vídeo com a mastologista Maria Assunção.

*** Os dados referentes ao número de exames realizados em 2017 foram coletados do Sistema de Informações Ambulatorial (SIA) do DATASUS, de acordo com os códigos de procedimento 0204030030 (Mamografia) e 0204030188 (Mamografia Bilateral para Rastreamento). Já o número de exames esperados foi calculado de acordo com o número de mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos e as recomendações do INCA para rastreamento bienal (BRASIL, 2017). Para o cálculo do número de exames esperados considerou-se 58,9% da população alvo, tendo em vista as recomendações do INCA.